Lembro-me da primeira vez que ouvi uma frase, entre muitas já ditas a mim, que hoje soa como uma verdade irrefutável. Tudo bem, talvez esse "irrefutável" seja um pouco pesado, muito verdadeiro e deveras sintomático: coisa de velho. Meu caro, dizer que "nascemos sozinhos e morremos sozinhos" não é um exagero. É um estratagema. O inimigo é a implacável solidão, essa cólera que bate à minha porta quando fecho os olhos e respiro fundo, p-a-u-s-a-d-a-m-e-n-t-e. Lá vem ela, traiçoeira, alcoviteira safada, quer me unir à tristeza, à melancolia, à realidade. Bom, a realidade é justamente essa: só. Estar só. Se ver só. Então me pego pensando em maneiras de saber lidar com isso, essa dor, esse sulco.
Encaro a maldita de frente: sim, sou só. E sempre serei.
Pronto, ela sabe que eu sei o segredo.
Certa vez, enquanto tentávamos nos acertar, ela me disse que essa confusão toda tem nome. Amor. Em letras garrafais, proporcionais ao tamanho do mal - e do bem - que ele faz.
Talvez mais maldito ainda seja o amor.
Sereno, de canto doce e abraço quente - que nos leva a querer tudo e que não deixa levar nada.
mary jane