terça-feira, dezembro 18, 2007

Tocou o papel. Uma carta.

Antes que anunciem coisa indevida: não. Não era de amor. Não o amor que entrega-se na face rosada de quem permite escapar o sorriso pelo canto da boca, acompanhado pelo olhar baixo que, num delicioso paradoxo, deseja se esconder e se revelar. Sôfrego.

Não esse amor.

Desgastado. Um amor que caminha como o velho do outro lado da rua, para quem olhamos e enxergamos apenas a impossibilidade de ser como ele algum dia. Um amor esculpido pelo tempo, repleto daquela que representa a certeza de algo que não existe mais: a lembrança.

Mas era o amor.

Então sorriu. Mais uma vez, não. Não felicidade, gozo. A essa altura da vida, palavras banhadas em ouro ou fel fazem pousar um sorriso nos lábios de quem as toma... sorriso sábio, não sofre as desventuras da frustração.

Despedida. Confissão. Uma carta antiga.

Apenas recolheu-se. Olhar longe, o sorriso no rosto. Respirou fundo, a brisa beijava seus cabelos prateados... o viço da pele se escondia com o passar dos dias.

E havia o amor. Sempre pouco.


mary jane

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