quinta-feira, janeiro 03, 2008

Lembro-me da primeira vez que ouvi uma frase, entre muitas já ditas a mim, que hoje soa como uma verdade irrefutável. Tudo bem, talvez esse "irrefutável" seja um pouco pesado, muito verdadeiro e deveras sintomático: coisa de velho. Meu caro, dizer que "nascemos sozinhos e morremos sozinhos" não é um exagero. É um estratagema. O inimigo é a implacável solidão, essa cólera que bate à minha porta quando fecho os olhos e respiro fundo, p-a-u-s-a-d-a-m-e-n-t-e. Lá vem ela, traiçoeira, alcoviteira safada, quer me unir à tristeza, à melancolia, à realidade. Bom, a realidade é justamente essa: só. Estar só. Se ver só. Então me pego pensando em maneiras de saber lidar com isso, essa dor, esse sulco.
Encaro a maldita de frente: sim, sou só. E sempre serei.
Pronto, ela sabe que eu sei o segredo.
Certa vez, enquanto tentávamos nos acertar, ela me disse que essa confusão toda tem nome. Amor. Em letras garrafais, proporcionais ao tamanho do mal - e do bem - que ele faz.
Talvez mais maldito ainda seja o amor.
Sereno, de canto doce e abraço quente - que nos leva a querer tudo e que não deixa levar nada.


mary jane

2 comentários:

Renê Fernandes disse...

Não, não morrerei sozinho. Não depois dos risos, dos choros, dos sorvetes derramados, empalitados, das lasanhas devoradas ainda quentes. Não depois das caronas, das noites vistas dentro de um capacete ou um "quartinho". Não, com certeza nunca mais depois dos filmes vistos e dos ainda por vermos. Creio que não após as noites gastas com jogos de palavras e sorrisos, um "deixa-prá-lá" nas aulas. Certamente não. Com certeza: depois de você, jamais poderei morrer só; antes, levo comigo tudo isso - o que significa carregar prá sempre um pouco de tudo o que (te) amo. E o que será a vida cheia de corpos, se vazia de memórias? Não, não morrerei sozinho, porque sozinho é ser apenas um só, mas você me fez ser mais que EU.

Renê Fernandes disse...

gatíssima, vc me fez sentir tontura... isso pq li o teu comentário e fiquei todo cheio de num-sei-o-quê, uma vontade louca de me declarar todo prá vc... fiquei arrepiado com o teu final: "eu _INDIZÍVEL_ você". até inveja me deu, pq vejo que só vc consegue ter talento até prá se inexpressar (se é q isso existe) com as palavras que faltam. a cada dia, parece q me brota um motivo a mais prá te amar prá sempre. Mas, aí, caio no teu blog e vejo q tem um texto novo. Tento não ler, deixar prá fazer isso só depois de responder ao teu comentário. Só que é foda: umas duas ou três palavras soltas, q vc vê meio sem querer no texto, te chamam tanta atenção que, de repente, vc já tá lá, subindo a barra de rolagem prá conferir a novidade. E daí me dá tontura: como conciliar o prazer do amor, do romantismo, daquela coisa gostosa de querer dar carinho, com a sensação maravilhose de, novamente, ser surpreendido por um texto tão bom? Já não sei mais o que escrever, ou o que escrever primeiro. Deixo um comentário no texto novo? Faço tudo num só. Ah, mas fica foda de traduzir num texto só duas sensações diferentes... E, acredite, elas existem, neste exato momento, dentro de mim! Numa confusão danada, tentam me dar a idéia do que escrever agora e depois. Só me dá acerteza de que vc realmente sabe mexer comigo. Só me cabe o prlágio: fico numa situação indizível! E, quer saber? ADOREI ESSA SITUAÇÃO!!!
Muitos beijos!