domingo, janeiro 19, 2014

São poucas as pessoas que, quando podem, gostam de ir ao cinema à tarde, sozinhas, em dia "útil". Eu sou uma delas.

Pessoalmente, vou porque choro mais à vontade. Em geral, minha primeira opção é por filmes tristes, que me fazem ter uma crise existencial por 98, 113 ou 122 minutos.

(em tempos nos quais a felicidade, a alegria e o sorriso são óbvios e praticamente obrigatórios, chorar sem correr o risco de ser acusada de ser depressiva [porque depressão é coisa contemporânea], sensível demais [porque sou feminina] ou de estar em dias de TPM [porque sou fêmea] é um oásis para mim. não ter que responder ao clássico "nossa, por que você se emocionou tanto?": orgasmo)

No silêncio ouço os ruídos da sala, a respiração das pessoas e algumas conversinhas segundos antes do filme começar. Percebo o tédio dos funcionários que esperam a movimentada noite chegar,  expulsando a monotonia da tarde preguiçosa...

(sinto que esses funcionários nos veem como os personagens estranhos que guardam segredos excêntricos nos filmes de Almodóvar)

À tarde quase não há cheiro de pipoca. Não comemos muita pipoca. Além de fazer barulho (somos meio chatos), desconcentra. Inunda os sentimentos amargos e melancólicos - que muitas vezes procuramos no escuro da sala  - daquele sabor alegre da manteiga... lembranças insuportáveis da Família Doriana.

No mais... cinema.

Assistir às mazelas e às delícias dos personagens. Viver suas vidas chatas e suas viagens loucas.

Transas e assassinatos.

Gargalhadas e silêncios.

mary jane

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