quarta-feira, dezembro 19, 2007

Deu o primeiro gole. Profundo. A gota violácea escapou-lhe e conheceu seu colo, tepidamente nu.
Riu-se toda. Era a primeira vez que sentia-se livre: a porta que G. batera antes de sair ainda estava entreaberta e sua imagem diminuía no horizonte como uma chama que se apaga lentamente.

Por um instante, lamentou não poder recorrer à língua quente daquele que a deixara, para salvar a gota que ia descobrindo cada curva do seu corpo lânguido e claro. Superou tal falta dando o segundo gole, sentindo o gosto do vinho que guardara durante anos, esperando uma ocasião digna de consumi-lo.

Dizia-se que Tannat hamonizáva-se com carnes vermelhas e molhos fortes: perfeita ocasião.

Provando sabor tão marcante quanto o rastro carmim deixado pela gota em sua pele alva, estendeu-se sobre a cama acetinada. O robe negro, entreaberto, mal roçava o lençol, escorregando por entre as formas voluptuosas da mulher. Anoitecia.

3 comentários:

DONO.DO.SANATÓRIO disse...

que descrição fantástica. imaginei toda a cena. a gota, a textura do ambiente, a sensação, o gosto.
Cara!!! muito bom.

DONO.DO.SANATÓRIO disse...

que descrição fantástica. imaginei toda a cena. a gota, a textura do ambiente, a sensação, o gosto.
Cara!!! muito bom.

DONO.DO.SANATÓRIO disse...

que descrição fantástica. imaginei toda a cena. a gota, a textura do ambiente, a sensação, o gosto.
Cara!!! muito bom.